sexta-feira, 17 de outubro de 2008


Um último suspiro de lamento e um passo em direção ao vazio, até então.
Ele lembrou, ou melhor, ecoou em sua mente Chico Science dizendo "mais um passo e já não está mais no mesmo lugar", não se lembrava se era assim mesmo a frase, mas pelo menos era assim que ele estava se lembrando.
Ele então imendou "com um suspiro chico, eu já não estou mais no mesmo lugar..."
Ele não estava mais no mesmo lugar faz tempo. Os caminhos estavam turvos e iam em frente. Pensava, imaginava os próximos passos, mas tava tudo ainda muito sem forma, é certo que ele tinha as cores e as formas que ele proprio criara, que ele sempre criava, e esperava.
o tempo corria.
Correr do tempo não era algo que fazia parte do seu perfil, ele gostava de deixar o tempo correr sem querer disputar quem ia cruzar a linha de chegada primeiro. gostava só de sentir o aroma de gotas de chuva tocarem seus calcanhares e serem rebatidos para as costas de sua camisa branca, formando aquela pintura, quase que natural, se não fosse pela sua intencionalidade que mordiscava seu lábio superior indicando o início de um risinho simpático, e até mesmo parassimpático.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pensamentos correninhos - 3º episódio

Todas as noites

Me cubro a noite
contra o sereno da solidão
com uma coberta tecida dos teus beijos,
do teu corpo, do teu calor;
deito minha cabeça no travesseiro cheio de sonhos
sonhados por nós todas as noites
e vividos todos os dias...

fito teus olhos em mim
pelas estrelas que entram manhosas
pela janela do meu quarto
e sinto uma brisa que vem acariciar o meu rosto...

viro para o lado e cheiro o teu cheiro
que ainda visita o meu corpo
fecho meus olhos
e sonho
os próximos sonhos que vamos nos cantar.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Terminos são a gramática do amor....


Certa vez ouvi que eu estava sendo frio.
"Frio por quê?" pensei eu logo em seguida.
O término quando é sincero, esclarecido e cuidadoso não é digno de término?
Tá bom, fica esperando.
Namorar é tentar sempre dialogar no intuito de aparar as arestas, sempre é isso...
Nem sempre é fácil, nem simples...
Nós terminamos quando desistimos de tentar aparar aquela aresta;
E vamos procurar, consciente ou não, outra que achamos que poderemos dar conta...
E desistir de aparar aquela aresta não significa ter culpa de alguma coisa não.
Não temos obrigação disto. Temos necessidade.
Mas mesmo assim precisamos ser aparados também.
Por que nós também temos as nossas farpas.
Quando deixamos de aparar, ou deixam de apararmo-nos
O fim vem.
E ele vem como o ciclo natural, como estrutura necessaria para o nosso polimento.
Ou você achou que chega em cada relacionamento da mesma forma?
Ingênuo.
O que aparou foi aparado.
Mas quero deixar bem claro aqui,
Não defendo os términos, fins e adjacências,
Apenas digo que eles fazem parte, diria melhor,
São parte estruturante da brincadeira de amar.
Assim, saiba que o término é um ato de auto-conhecimento.
um ato de personificação.
Os términos são a gramática do amor.

Imagem: Menina Ô. -> http://www.flickr.com/photos/23188196@N06/
Homenagem a um amigo, além de valer pra mim e todos nós.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Pensamentos correninhos: 2º episódio

Estou com saudade de dizer te amo.
De dizer baixinho mil vezes antes do nascer do sol
Enquanto sonhava bem alto, treinava no espelho
Com o medo bobo de ser precipitado...
Mas quem se precipita ao amor?
No máximo aquelas gotas de chuva
Que molham os nosso beijos mais molhados
Aquele riso apertado
E a vontade de gritar...
No máximo aqueles pensamentos desautorizados
Aquele ar muito mais oxigenado
E a vontade de cantar...

Ah gritar o amor demora,
Demora o tempo que a gente espera para ser feliz.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dúvidas...


O espelho reflete sua imagem distorcida pelo sono. Seus olhos semi-abertos e a campainha incessante do telefone que se acomoda sob o criado mudo, que entupido de dúvidas, por mudo ser, nunca as inferiam...
Ela atende o telefone:
- Alô?!
- Oi.
- Oi...
- E ai?
- Tranquilo.
- Podemos conversar?
- Talvez...
A conversa se estendeu ao longo de intensos 7 minutos e 31 segundos, tempo suficiente pra ela sentir dúvida das suas palavras proferidas 3 dias atrás...Tinham combinado às 3 e ela acabara de desligar o telefone, mas já havia alguém batendo em sua porta.
Ela abriu a porta ainda de pijama, ele estava com aquela blusa seu cheiro adentrava tuas narinas, como fizera ao longo de 3 ininterruptos anos. Sempre que aquele perfume encontrava o seu significado no cerebro, questão de micro segundos, seus pelos da nuca se arrepiavam. Ambos não proferiram nenhuma palavra, em pé um de frente para o outro; ela de pijamas, nada de anormal as vistas dele, e ele com a mesma calça jeans e aquela blusa...Piscar estava cada vez mais dificil, e absolutamente não se sabia de onde surgia oxigênio naquele instante...
Ela se perdeu na hora de convida-lo a entrar e já se viu sentada na beira da sua cama, enquanto ele estava sob o sofá de dois lugares que ficava na parede da janela. Ela sempre soube que ele era diferente, e desejava que só ela soubesse disto. E ele vice-versa.
Ele demonstrava uma força que ela precisava pra suportar a dor de se sentir fraca, e ele vice-versa.
Tudo começou, ou melhor terminou, quando ela descobriu que ele só queria se sentir completo com ela; pra ele vice-versa.
Três longos dias se passaram, e ali estava ele: com a mesma cara, o mesmo cheiro, talvez até o mesmo gosto. O diálogo se dava muito mais por meio das dúvidas de cada um em estar ali, e do até estar ali.
Ele ri, ri muito, ri descontroladamente. Ela então entra no riso... Eram como notas que formavam um acorde perfeito maior...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Crônicas de um palhaço sem graça: 4 episódio


Ele caminhava. tinha 2 minutos que saltara do ônibus e que caminhava em direção da sua casa. ele se sentia imerso nos pensamentos, até que olhou pra cima e viu que o céu estava com uma quantidade de estrelas enorme...Ele nem percebera mas já tinha retornado a uma fantasia, que já não era mais nova, mais era tão desejada que se fazia nova cada vez que era visitada. Lá estava ele na cozinha preparando um jantar, que lhe parecia suculento, um vinho em cima da mesa arrumada, incenso na casa, a porta da varanda aberta e um jazz irrompendo o céu através da porta aberta da varanda. Ele dançava e cantarolava aquela melodia enquanto esperava pelo toque na campainha. Ele estava de costas abrindo o vinho que estava no congelador e preparando as duas taças, como se estivesse prevendo que a campainha tocaria, e de fato ela tocou. Abriu a porta deu aquele sorriso de canto de boca que ela gostava beijou-lhe com carinho e ofereceu a taça que ele já havia preparado. Após duas taças e meia, eles já estavam dançando na varanda sob o olhar atento das estrelas e da lua, magnânima diga-se de passagem, os beijos vinham com o sabor do vinho seco que eles bebiam, é fato, mas eles estavam muito mais com o sabor dos olhares e dos risinhos que eles trocavam... O cd já tinha parado de tocar a tempos, o jantar não tinha sido tocado, a brisa do mar vinha acariciar os seus corpos nús e entrelaçados, que nesse fragmento de tempo pareciam serem como um só, o cheiro do jantar ainda estava no ar... Uma garrafa vazia, duas taças, uma com marca de batom e outra não, roupas largadas sem preucupação pelo chão...

Ele desperta e percebe que novamente estava cheio de saudade de algo que ainda não aconteceu... Respira fundo, sente o oxigênio irrigar todos os seus orgãos e sente renovado. sente que ali ele estava feliz, sente seu corpo sente a noite, sente as estrelas e almeja algo... Um vinho talvez...
Imagem por Vânia medeiros www.flickr.com/vania_medeiros

terça-feira, 1 de abril de 2008

Crônicas de um palhaço sem graça:3 episódio


Um filme. Uma lagrima escorre no canto do olho e ele sente o que sente cada vez mais puro. A porta da varanda está aberta e ele sente aquele sopro frio e úmido acariciar-lhe o rosto. Ele lembra de como gosta deste clima intimista que a chuva lhe causa. O filme já acabara a minutos, os letreiros parecem não cansarem de subir; aquela música o envolve, facilita o proceso intimista. És gostoso estar em paz, e se sentir assim. Ele sente o cheiro da chuva, ouve suas gotas se jogarem ao encontro do inesperado... Ele sente uma dúvida circundear seus pensamentos: Por quê é mesmo que uma gota de chuva escolhe se jogar das nuvens? enquanto tantas pessoas querem estar por lá, e elas se jogam... Enfim ele deixa essa dúvida passar junto com o próximo sopro de vento e volta a sentir o gosto de sentir...Hum que sensação mais autorizadora de si...

De fato a chuva, o cheiro dela, o vento úmido, ele se dá conta como sempre gostou disto, e como agora parecia ainda mais saboroso. Pensa um pouco no futuro, mas desiste antes de pensar demais; é melhor que ele seja um gota de chuva.



"Faça como eu que vou como estou,

porque só o que pode acontecer...


É os pingo da chuva me molhar,

é os pingo da chuva me molhar!

É os pingo da chuva me molhar,

é os pingo da chuva me molhar!"

(Os novos baianos - Os pingo da chuva me molhar - Novos baianos F. C.)